2B Educação

Processos de aquisição da leitura e da escrita

18/02/2020

 
A aquisição da leitura e da escrita compõem um assunto importantíssimo na sua prática cotidiana profissional enquanto pedagogo(a) e, não à toa, estão frequentemente presentes em concursos públicos.
 
Neste contexto, estão os conceitos de alfabetização e letramento, que apesar de parecerem óbvios, envolvem distinções que você precisa entender – além de reflexões muito importantes.
 
Apesar de estarem relacionados, você precisa entender que alfabetização e letramento não têm o mesmo significado, e para explicar estes conceitos, começaremos com a Psicogênese da Língua Escrita, contextualizando a teoria de Emilia Ferreiro.
 
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Vamos lá?
 

A psicogênese da Língua Escrita
 

Diferentemente do que algumas pessoas imaginam, a psicogênese é uma concepção epistemológica para explicar como o sujeito se apropria do processo da leitura e da escrita, e não um método de alfabetização.
 
Esta concepção tem como principal representante no contexto internacional Emília Ferreiro,  que desenvolveu estudos e teorizações sobre este processo de aquisição da leitura e da escrita. Emília foi orientanda de Piaget, e os seus estudos se basearam na epistemologia genética.
 
Emília Ferreiro se contrapôs aos métodos tradicionais de alfabetização e mostrou que este processo de aquisição da leitura e da escrita é exponencialmente conquistado por meio da inteligência e de um processo de hipótese vivenciado pela criança.
 
Esta concepção passou a ser divulgada no Brasil em meados da década de 80, e culminou em grandes discussões conhecidas como Construtivismo.
 
Muitos desses estudos divulgados, no entanto, acabaram distorcendo as concepções iniciais pensadas por Emilia Ferreiro.
 
Fique atento: Emília Ferreiro, por meio da psicogênese da Língua Escrita, não introduziu o conceito de letramento; para ela, o processo de Alfabetização já envolve a utilização de práticas sociais de leitura e escrita, abarcando este processo.
 
De acordo com a Psicogênese da Língua Escrita, a apropriação da escrita se apoia em hipóteses de aprendiz, baseadas em conhecimentos prévios, assimilações e generalizações, dependendo de suas interações sociais e dos usos e funções da escrita e da leitura em seu contexto cultural.
 
Considera que esta criança, diferentemente das concepções empiristas que preconizavam a ideia de que ela é uma “tábula rasa”, constrói hipóteses sobre o processo de aquisição da leitura da escrita.
 
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Níveis de Escrita de acordo com a Psicogênese
 

Emilia Ferreiro diferenciou as fases pelas quais o sujeito passa na apropriação da leitura e da escrita. São elas:
 
Pré-silábica – O aprendiz ainda não compreende que a escrita representa os sons das palavras que falamos, mas faz experimentações diversas, utilizando, simultaneamente, desenhos e outros sinais gráficos – por isso, sua representação só é entendida quando “traduzida” por ele mesmo.
 
Hipótese silábica – O aprendiz percebe os sons das sílabas como segmentos da palavra a ser escrita, mas supõe que apenas uma letra pode representa-las graficamente, podendo ou não ter o valor sonoro convencional.
Por exemplo, BNDA (silábico quantitativo) ou ELFT (silábico qualitativo) são quatro letras que podem representar a palavra elefante.
 
Hipótese silábico-alfabética – O aprendiz se encontra em transição entre níveis psicogenéticos e tanto pode representar sílabas completas como representações parciais da sílaba por uma só letra: por exemplo, para elevante, ELEFT.
 
Hipótese alfabética – O aprendiz compreende o princípio alfabético, percebendo unidades menores do que as sílabas, os fonemas, e gradualmente domina suas correspondências com os grafemas.
 

Diferença entre Alfabetização e Letramento


Como vimos anteriormente, na concepção de Emilia Ferreiro, Alfabetização é o processo de aquisição da leitura e da escrita, incluindo as práticas sociais.
 
Contudo, percebemos que outros conceitos começaram a ser introduzidos pela doutrina, como o conceito de letramento.
 
O letramento, uma tradução da palavra inglesa Literacy, pode ser traduzido como a condição de ser letrado. Um indivíduo alfabetizado não necessariamente é um indivíduo letrado, pois o letramento pressupõe a utilização da leitura e da escrita em práticas sociais cotidianas.
 
Para além de ler e escrever, o sujeito precisa saber fazer uso social dessas práticas de leitura e escrita.
 
Por exemplo, um sujeito que está no ponto de ônibus e consegue identificar as palavras do “letreiro” que indicam o destino tem um nível de letramento – não apenas domina o código escrito, mas consegue utilizá-lo para situar-se na sua vida cotidiana.
 
Alfabetizado é aquele indivíduo que sabe ler e escrever; letrado é aquele que sabe ler e escrever, mas que responde adequadamente às demandas sociais da leitura e da escrita.
 
Tem-se, então, a perspectiva de alfabetizar letrando: este sujeito precisa ser inserido no domínio do código escrito, mas este código precisa ser traduzido para o âmbito das práticas cotidianas.
 
É necessário que os indivíduos sejam, portanto, alfabetizados e letrados conjuntamente, pois a linguagem é um fenômeno social, estruturada de forma ativa e grupal do ponto de vista cultural e social.
 
Compreendendo estas distinções é que chegamos ao conceito de analfabeto funcional, que é aquele indivíduo que domina o código escrito, mas não sabe utilizar esta escrita nas suas práticas cotidianas; por exemplo, quando vai ao banco e lhe é solicitado que preencha um formulário.

 
Esperamos que você tenha compreendido as principais nuances dos conceitos de alfabetização e letramento! Este é um tema muito importante para você, e este é só o primeiro de muitos conteúdos gratuitos que disponibilizaremos nas nossas redes sociais.
 
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Até a próxima!